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Jogos de pesca em alto mar, vistos a partir de Leixões

Há seis jogos para Android que me levam ao mar alto: dois de pesca com espadins e tubarões, um em que se joga com o próprio tubarão, um de jangada e dois de piratas.

Leio-os como leio o mar quando saio com o meu pai: pela distância à costa, pelo peixe que aparece e pelo que ameaça o barco.

Espadim a saltar da água com a linha presa e os selos SS, Special e Boss num ecrã promocional de Monster Fishing 2026
Monster Fishing 2026, ecrã promocional publicado na Google Play. Cores reduzidas a azul e branco por mim.

Seis mares, do Pacífico às Caraíbas

Cada jogo tem página própria. Aqui ficam os seis com o que a Google Play indicava a 08/09/2026: PEGI, anúncios e intervalo de compras.

Monster Fishing 2026

Nexelon · PEGI 3 · com anúncios · compras de 1,39 € a 45,99 € · 4,0 com 168 391 avaliações

É o jogo que mais se parece com uma saída de pesca grossa. A cana está presa ao convés, há um ilhéu de rocha ao fundo e, quando o peixe sobe, o ecrã mede-o ao centímetro. Num dos ecrãs, um Espadim Azul do Atlântico fica registado com 372,48 cm, e a marca anterior era de 312,22 cm. A descrição fala em 30 pontos de pesca e em mais de 250 espécies, com um megalodonte no fim da lista.

O mesmo estúdio faz Época de Pesca, onde o espadim azul aparece medido em polegadas e pendurado diante de um lago com pinheiros.

  • Hungry Shark World

    Ubisoft · PEGI 12 · com anúncios · 0,99 € a 99,99 €

    Aqui não se pesca: é-se o tubarão. Os mares vão de uma piscina de hotel a um cais cheio de contentores.

  • Raft Survival: Ocean Nomad

    Survival Games Ltd · PEGI 7 · com anúncios · 0,25 € a 139,99 €

    Uma jangada de tábuas, um gancho para puxar barris e um tubarão que morde a borda.

  • Sea of Conquest: Pirate War

    FunPlus · PEGI 12 · sem anúncios · 1,19 € a 233,99 €

    Um mar inventado, o Mar do Diabo, e um navio visto em corte com camarotes numerados.

  • The Pirate: Plague of the Dead

    Home Net Games · PEGI 12 · com anúncios · 0,99 € a 8,99 €

    Veleiros nas Caraíbas com a velocidade escrita em nós no canto do ecrã.

  • Época de Pesca

    Nexelon · PEGI 3 · com anúncios · 0,99 € a 94,99 €

    Pesca de um toque, do rio Amazonas ao Pacífico, com um aquário para guardar o que se apanha.

Do cais ao Mar do Diabo

Quem sai de Leixões sabe que o mar muda muito antes de mudar de cor. Primeiro o molhe, depois a costa pela popa, e por fim só água. Arrumei-os pelo que se vê em terra em cada ecrã, e deu o esquema ao lado.

Para escolher, a pergunta que faço é simples: quero ver costa ou quero perdê-la de vista? Hungry Shark World e The Pirate ficam colados a cais, vilas e fortes. Época de Pesca anda por baías com ilhéus. Raft e Monster Fishing já estão ao largo, mas ainda há rocha no horizonte.

Sea of Conquest fica à parte: é um mar inventado, e a terra só aparece como ilhas recortadas atrás de uma figura de proa.

A distância real, em milhas e com as zonas que a lei portuguesa define, está no mapa do oceano nos jogos. Aqui não há escala: é um esquema de leitura e não serve para navegar.

Esquema dos seis jogos por faixa de mar Quatro faixas de cima para baixo: cais e piscina com Hungry Shark World e The Pirate; baía com ilhéus com Época de Pesca; mar com ilhas no horizonte com Raft Survival e Monster Fishing 2026; mar inventado com Sea of Conquest. Cais, piscina, forte Hungry Shark World The Pirate Baía com ilhéus Época de Pesca Ilhas no horizonte Raft Survival Monster Fishing 2026 Mar inventado Sea of Conquest sem escala · posição pela paisagem
Esquema meu, feito a partir dos ecrãs publicados, sem valor náutico.
Tubarão de boca aberta junto à jangada de noite em Raft Survival, com um gancho de metal na mão do jogador
Raft Survival: Ocean Nomad, ecrã «Ataques noturnos». O tubarão é a ameaça fixa deste mar.

Alto mar, zona por zona

O peixe grande e a ameaça são os que aparecem nos ecrãs ou na lista de funcionalidades, não os que eu imagino.

Seis jogos oceânicos: onde se passam, o que se apanha e o que ataca
Jogo Zona oceânica Espécie de grande porte Ameaça no mar Embarcação
Monster Fishing 2026 30 pontos de pesca, mar aberto com ilhéu Espadim Azul do Atlântico, 372,48 cm Nenhuma; o tubarão é presa Barco com cana fixa no convés
Época de Pesca Do rio Amazonas ao Pacífico Espadim Azul, 189,55 polegadas Nenhuma visível Bote cinzento de borracha
Hungry Shark World Pacífico, Ártico, Mar Arábico, Mar do Sul da China Baleia com cracas sobre ruínas Robôs com laser, homens armados Nenhuma; nada-se como tubarão
Raft Survival Oceano com ilhas desabitadas Tubarão cinzento O tubarão, sobretudo de noite Jangada de tábuas com escadas
Sea of Conquest Mar do Diabo, inventado Não aparece nos ecrãs Abordagens de outros piratas Nau com camarotes LV.2 a LV.9
The Pirate Mar das Caraíbas Kraken, criatura de lenda Fortes costeiros e frotas Corveta a vapor, navio de 1.ª classe

Fonte: ecrãs e informações da Google Play consultados a 08/09/2026. Onde diz «nenhuma», é o que não vi, não o que o jogo garante.

Atlântico real, ao largo de Portugal

Algumas ideias que os jogos deixam na cabeça chocam com o Atlântico aqui ao lado. Juntei quatro, cada uma com a fonte.

  • Em Época de Pesca, o espadim azul sai de um lago com pinheiros.

    É um peixe de mar aberto e está sob quota. Nos Açores, a pesca lúdica só pode levar um exemplar de espadim-azul por embarcação por ano, e apenas depois de fechadas as quotas comerciais.

    Fonte: Açoriano Oriental, 08/01/2024

  • O atum grande só se apanha muito longe de terra.

    No Algarve, a armação da Tunipex fica a 2,5 milhas náuticas a sul da Fuzeta, é montada em abril e trabalha até outubro. Os atuns-rabilho pesam em média 150 a 180 kg.

    Fonte: Diário de Notícias, 30/08/2020

  • O espadarte é um peixe de superfície, que salta junto ao barco.

    Salta, sim, mas vive na coluna de água até 800 metros de profundidade e pode chegar a 100 km/h. Em Portugal pesca-se com palangre de superfície.

    Fonte: Ciência Viva, ficha do espadarte

  • O tubarão-mako é só mais um troféu para o aquário do jogo.

    O tubarão-anequim, nome português do mako, está no Anexo II da CITES em toda a sua área de distribuição, o que controla o comércio internacional da espécie.

    Fonte: NOAA Fisheries, shortfin mako shark

Cinco veleiros em linha, de noite, com a lua atrás do primeiro e um rochedo à direita, em The Pirate: Plague of the Dead
The Pirate: Plague of the Dead, ecrã «Build an unstoppable fleet».

Matosinhos, na mesa da cozinha

Escrevo em casa, com o porto de Leixões a dez minutos a pé. Não tenho equipa, não recebo dinheiro das produtoras e não dou notas a jogos. Cada página segue o mesmo caminho, que deixo à vista.

Há um limite que prefiro dizer já. Quem sou e o que deixo de fora está explicado com mais calma; aqui fica o essencial: não afirmo nada sobre duração de partidas, quantidade de anúncios ou comportamento do peixe, porque isso não se vê num ecrã parado.

  1. Abro os dez ecrãs que cada produtora publica e anoto só o que tem número ou nome escrito: centímetros, nós, níveis.
  2. Copio da Google Play a classificação PEGI, se há anúncios, o intervalo de compras e a data da última atualização, tudo a 08/09/2026.
  3. Para cada peixe ou lugar real procuro uma fonte que se possa abrir e ponho a ligação ao lado.
  4. Leio a página inteira em voz alta. Se soa a folheto, reescrevo.

Os dois guias do site vão mais fundo: um sobre tubarões e marlins no jogo e no Atlântico, outro sobre as distâncias à costa.

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