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Tubarões e marlins nos jogos e no Atlântico que conheço

Os tubarões e marlins dos jogos oceânicos são quase sempre espécies reais com nomes arredondados, medidas em unidades trocadas e nenhuma regra de pesca à volta. Nesta página ponho cada peixe do ecrã ao lado do seu nome científico e do pouco que se pode afirmar, com fonte, sobre ele no Atlântico português.

No ecrã, um oceano sem nomes científicos

Os jogos dão aos peixes nomes de cartaz. Em Monster Fishing 2026 aparece um «Espadim Azul do Atlântico» e um «Grande Tubarão Branco». Em Época de Pesca o mesmo espadim chama-se só «Espadim Azul», e a medida vem em polegadas: 189,55 in, num jogo traduzido para português.

Nada disto é grave num jogo. O problema começa quando se sai dele com a ideia de que o espadim é um peixe de lago, que qualquer tubarão cinzento é igual a outro, ou que um bicho de quase cinco metros se tira da água sem regra nenhuma. Na doca, o meu pai distingue um espadarte de um espadim de relance. No telemóvel, com as cores do jogo, eu às vezes hesito.

E há o caso do Raft Survival, onde o tubarão que ronda a jangada nunca recebe nome. É só «o tubarão».

Atlântico português, espécie a espécie

Das espécies grandes que os jogos mostram, três têm história conhecida ao largo de Portugal e fontes que se podem abrir. Não escrevo sobre as outras para além do nome.

Espadarte, Xiphias gladius

Pesca-se com palangre de superfície e tem tamanho mínimo de captura: 125 cm de comprimento ou 25 kg de peso, segundo a página da Ciência Viva sobre a espécie. Nenhum dos seis jogos o mostra; mostram espadins, que têm a mesma silhueta de bico longo.

Tintureira, Prionace glauca

É o tubarão-azul, e aparece muito como captura acessória do palangre dirigido ao espadarte. Numa tese da Universidade dos Açores, com 163 lances em barcos comerciais nos Açores e no continente, a troca de estralhos de aço por monofilamento deu 2,4 vezes mais espadarte e 0,4 vezes a captura de tintureira. Mais de metade dos exemplares apanhados eram juvenis, e o autor confirma os Açores como zona de berçário da tintureira no Atlântico Norte (L. Martins, 2013).

Espadim-azul, Makaira nigricans

Tem quota para a frota portuguesa. A 10/05/2024 a Federação das Pescas dos Açores avisou que a quota de espadim-azul do Atlântico, código BUM/ATLANT, ia em 80% e que o fecho podia vir muito em breve. É esta espécie que o jogo pendura em frente a pinheiros.

Grande Tubarão Branco de boca aberta ao lado do painel com 167,48 cm, selos Boss e New Record, em Monster Fishing 2026
Monster Fishing 2026: Grande Tubarão Branco com 167,48 cm, melhor marca anterior 120,58 cm.

Seis peixes grandes, do ecrã para o mar

Nome que o jogo usa, espécie real correspondente e jogo onde aparece
Espécie de grande porte Nome real da espécie Jogo
Espadim Azul do Atlântico, 372,48 cm Makaira nigricans, espadim-azul Monster Fishing 2026
Espadim Azul, 189,55 in Makaira nigricans, a mesma espécie Época de Pesca
Grande Tubarão Branco, 167,48 cm Carcharodon carcharias, tubarão-branco Monster Fishing 2026
Tubarão-Mako Isurus oxyrinchus, tubarão-anequim Época de Pesca
Tubarão-martelo do quadro Hungry Sharks Género Sphyrna, espécie não indicada Hungry Shark World
Tubarão cinzento que ronda a jangada Não identificável pelo desenho Raft Survival: Ocean Nomad

Medidas e nomes copiados dos ecrãs publicados na Google Play a 08/09/2026; nomes científicos por conta minha.

Quadro Hungry Sharks pregado com cerca de vinte tubarões desenhados, entre eles um tubarão-martelo e um tubarão-baleia
Hungry Shark World, ecrã «Toneladas de tubarões». A produtora anuncia 43 espécies em 8 níveis.

Lota de Matosinhos, com uma fita métrica na cabeça

Quando vejo um peixe grande num jogo, faço o que se faz na lota: primeiro o nome, depois a medida, depois a regra. O nome confirmo-o pela forma do corpo e pela forma como a produtora o escreve. A medida copio-a do ecrã, com a unidade que lá está. A regra, quando existe, só a escrevo com uma ligação para quem a publicou.

Não tenho forma de saber se o tubarão-branco de 167,48 cm é jovem ou adulto no motor do jogo. Não escrevo sobre isso.

As contas abaixo são o único sítio desta página onde mexo nos números.

Espadim Azul em Época de Pesca
  189,55 in × 2,54 cm/in      = 481,46 cm

Espadim Azul do Atlântico em Monster Fishing 2026
  372,48 cm

Diferença entre os dois jogos
  481,46 − 372,48             = 108,98 cm

Relato de Horta (Guy Harvey, 31/05/2026), peso típico 500–600 lb
  500 lb × 0,4536 kg/lb       = 226,8 kg
  600 lb × 0,4536 kg/lb       = 272,2 kg
  maior peso citado, 900 lb   = 408,2 kg

O mesmo peixe tem mais de um metro de diferença entre dois jogos da mesma produtora. E os pesos de um verão de pesca na Horta ajudam a imaginar o que é ter um bicho destes na ponta da linha, coisa que nenhum dos dois ecrãs mostra.

Da praia ao palangre, cinco tropeções comuns

  1. Chamar espadarte ao espadimO espadarte tem o bico achatado como uma espada e corpo sem escamas; o espadim tem bico redondo e uma barbatana dorsal alta. Nos jogos, só há espadins.
  2. Ler polegadas como centímetrosOs 189,55 de Época de Pesca estão em polegadas. Em centímetros passam dos 481.
  3. Achar que todo o espadarte fica no barcoAbaixo de 125 cm ou de 25 kg não pode ser capturado. Nos ecrãs dos jogos não aparece tamanho mínimo nenhum; no mar, há.
  4. Pensar que o fio de aço protege a pescariaNa tese de 2013, o estralho de aço trouxe mais tintureira e menos espadarte do que o monofilamento.
  5. Esquecer que há quotaO espadim-azul tem quota e aviso de fecho. Nos Açores, a pesca lúdica também tem limites próprios.

O tubarão como ameaça, e não como troféu, está no texto sobre Raft Survival: Ocean Nomad.

Doca de Matosinhos, à espera de correções

Se é biólogo marinho, pescador de palangre ou só tem melhor olho do que eu para barbatanas, escreva. Corrijo e digo que corrigi.

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